ESTEJA A VONTADE E SEJA MUITO BEM VINDA!!!

Páginas

Pesquisar este blog

quinta-feira, 8 de março de 2012

CONDIÇÕES DE VIDA DAS MULHERES NO MUNDO

                  CONDIÇÕES  DE  VIDA  DAS
             MULHERES NO MUNDO
                                2012    
                     
                                                  (POR GISELE DE MARIE)
Estou cansada de ouvir ou ler que as mulheres já chegaram à igualdade de direitos, já são respeitadas, e não precisam mais se preocupar com isso, nem lutar pelas causas que lhes são próprias. Fala-se das conquistas da mulher, como se a mulher de nossos dias tivesse seus direitos reconhecidos e respeitados por toda parte. Isso vindo de homens que, em sua ignorância e egocentrismo, quase nunca sabem o que é a vida diária de uma mulher e o que a maioria delas ainda têm que passar para simplesmente poderem ser elas mesmas, e que, além disso, nao estão dispostos a abrir mão de seu comodismo, de sua visão distorcida do que é ser homem ou mulher e de seus privilégios, ainda dá para suportar, ou pelo menos não me surpreende.
Contudo, isso vindo de mulheres, muitas vezes cultas, vividas, inteligentes (se bem que, devo admitir, quase sempre completamente ignorantes da herança de outras mulheres que vieram antes delas e que lutaram ferrenhamente por elas antes mesmo que nascessem, bem como das obras que tais guerreiras lhes deixaram) é-me realmente incompreensível e muito mais doloroso. É como se preferissem enfiar a cabeça na terra, cegar-se propositalmente para a realidade feminina do planeta em termos de maioria e fingir que nada têm a ver com isso. É mais ou menos a mesma atitude dos franceses invadidos pelos nazistas na Segunda Guerra, quando viram os judeus serem levados e massacrados. Enquanto não os atingisse tudo bem. Mas esta era uma enorme ilusão. E no caso das mulheres, ainda é pior, porque não são distinguidas por raças ou crenças, ou classes sociais, ou sua inteligência e cultura, ou sua beleza, profissionalismo, perfeccionismo, ou qualquer atributo especial que achem que tenham, como por vezes gostam tanto de se iludir. Não, no mundo em que vivemos, brutal e dominado pelo patriarcalismo bárbaro e retardado que teima em não nos deixar em paz, as mulheres são distinguidas simplesmente pelo sexo anatômico. Sempre foi assim, e infelizmente continua sendo, por mais que queiram se iludir. Logo, a opressão contra uma única mulher que seja sempre será, ainda mais fortemente, a opressão contra todas, e se a maioria do planeta ainda vive em condições terríveis e frequentemente subhumanas, quem garante que a minoria não termine voltando a isso também ? A História nos mostra que se deixamos um monstro tomar conta do vizinho uma hora ele estará, mais cedo ou mais tarde, na nossa porta ... Isso sem contar que mesmo nos países com leis melhores e condições melhores para as mulheres, elas ainda estão longe de terem suas vozes ouvidas, seus direitos respeitados e praticados.  Enquanto todas nós não nos conscientizarmos disso e não nos unirmos contra esse estado de coisas, e enquanto tantas continuarem pensando e dizendo asneiras sobre os movimentos que lutam pela transformação (apenas por causa do medo de que os homens possam desmerecê-las ou considerá-las isso ou aquilo ou se ofenderem – tática que usam há milênios para justamente ter o controle sobre elas) o mundo não mudará,  e as guerras e violências que parecem ser alguns dos instrumentos masculinos preferidos para perpretar suas vontades e lutas por poder insanas e governar o mundo insanamente, continuarão. Ah, e a alienação, ignorância, falta de interesse em se informar e omissão das mulheres nesse processo, lhes será cobrada um dia, podem ter certeza.

A ONU, as conferencias mundiais sobre a mulher, as ONGS de solidariedade feminina, e diversos estudos e pesquisas de gênero, têm nos trazido anualmente seus dados e revelações sobre as condições de vida das mulheres no planeta. Os alarmantes dados que esses relatórios nos mostram claramente não deixam dúvida sobre a realidade que tantos e tantas preferem não ver, ou esconder, ou fingir que não existem, pois fatos são fatos. Peço que dêem uma olhada e tirem suas próprias conclusões.
-  Cerca dos 70% dos milhões de pobres existentes no planeta são do sexo feminino.
-  No Brasil, apesar de ser considerado uma das maiores e mais promissoras economias mundiais, a distribuição de renda e riquezas continua sendo uma calamidade, das piores do mundo. Cerca de 60% da riqueza nacional está nas mãos de 10% da população. Um dado relevante aqui e pouco divulgado é que 70% da massa de pobres e famintos brasileiros constitui-se de mulheres e seus filhos e filhas com menos de 14 anos. Em outras palavras, no Brasil, tanto quanto no resto do mundo, “a pobreza tem a cara da mulher”, conforme pesquisas realizadas pela Rede Mulher.
- A porcentagem de crédito dada às mulheres pelas instituições bancárias mundiais formais é apenas de 5% da que se dá aos homens.
- Dois terços dos cerca de 885 milhões de analfabetos do mundo são mulheres. Entre as crianças proibidas de estudar mais da metade é composta de meninas.
- Em todo o planeta as mulheres continuam a trabalhar bem mais que os homens e a ganhar bem menos, entre 70 a 80% do salário dos colegas homens, sendo que no Japão ganham metade. A desigualdade salarial é tanto maior quanto mais elevado o nível de qualificação. E pesquisas apontam que quando a mulher tem pós, mestrado ou doutorado, é menos respeitada no ambiente de trabalho.
 - A dupla jornada de trabalho feminino, não compartilhada pelos homens nem pelos Estados, continua sendo uma realidade em todos os países. As mulheres dedicam no mínimo 30 horas/semana ao trabalho doméstico, sem contar o trabalho profissional externo. Os homens não chegam a 10 horas/semana.
- No mundo inteiro investem-se e gastam-se mais verbas com estudos e pesquisas que beneficiam a saúde masculina.
- Em todo o planeta as mulheres permanecem em grande minoria nas altas esferas de poder de decisões políticas, econômicas ,sociais, culturais, midiáticas, militares e religiosas.
- A maioria esmagadora de líderes, dirigentes, doutrinadores, produtores, interpretadores e com poder de imposição e disseminação de saberes científicos, empresariais, sindicais, teologicos, religiosos, cinematográficos, artísticos, literários, filosóficos, culturais, etc, bem como de sua aplicação prática, continuam sendo do sexo masculino, não por ausência de pessoas do sexo feminino em todos esses campos e também com grandes saberes e talentos, mas pela sistemática e sutil exclusão das mulheres das esferas mais altas de tais saberes e práticas dos mesmos.
- Cerca de 80% dos milhões de refugiados do mundo são mulheres e suas crianças e apenas 10% dos países do mundo protegem as mulheres em zonas de conflito, segundo relatório do Estado da População Mundial em 2010. Em 85 % das zonas de conflito armado foi registado tráfico de mulheres e meninas.

- Cerca de 66% das mulheres do mundo apanham de companheiros, esposos, pais, namorados ou outro homem da família, 55% delas são alvos de assédio sexual, 70% já foram agredidas ou violadas de alguma forma. Mais da metade das mulheres do planeta,ou seja, cerca de um bilhão e meio já foram ou serão, espancadas, estupradas, humilhadas, forçadas a ter relações sexuais de formas que não queiram, impedidas no seu direito de ir e vir, perseguidas, ou sofrerão qualquer tipo de violência psicológica, emocional, física, verbal, cultural, social e econômica ao longo de suas vidas. Mais de 65% dessas violências são cometidas por esposos, companheiros, namorados, ou outros homens da família. Isso sem contar o número de homicídios de mulheres também cometidos pelos mesmos. Outros agressores comumente são o ex-marido, o ex-companheiro e o ex-namorado, que somados ao marido ou parceiro ou outro da família constituem sólida maioria em todos os casos.

- Nos  EUA uma mulher é espancada a cada 15 segundos e estuprada a cada 90 segundos.

- No Canadá, estudos mostram estatísticas semelhantes e estima-se que os custos com a violancia contra as mulheres superam 1 bilhão de dólares canadenses por ano.

-  No México, segundo o Instituto Nacional de Saúde Pública, cerca de 38% das mulheres mexicanas com mais de 15 anos sofrem abuso e violência. O Centro para Investigação e Combate à Violência Doméstica mostrou que a maioria das mexicanas que sofrem abuso contribui para a renda da família e está sujeita a perder até 30 dias de trabalho a cada ano por causa da violência sofrida. A pesquisadora Rosario Valdez Santiago afirmou que a violência é responsável por 40% dos suicídios registrados entre mulheres no país. Nos últimos doze anos, mais de 400 mulheres foram assassinadas em Ciudad Juárez, no México. As vítimas são, na maioria, mulheres que foram, em 70% dos casos, violadas, estranguladas e mutiladas. As evidências apontam que as autoridades locais se esforçam pouco para resolver estes assassinatos e desaparecimentos. Na Guatemala diariamente as mulheres são vítimas de maus tratos, que chegam a levá-las à morte. Nos últimos anos, o número de mulheres assassinadas na América Central aumentou assustadoramente, chegando a aproximadamente 500 vítimas por ano.

- Nos países da América Latina 67% das mulheres acima de 15 anos já sofreu ao menos um incidente de violência física, sexual ou psicológica em algum momento da vida. No Equador, um dos países de maior violência contra a mulher desse continente, de cada 10 equatorianas, seis são vítimas de algum tipo de violência. De acordo com o Conselho Nacional da Mulher (CONAMU) a situação é tão grave que foram criadas delegacias especialmente para receber denúncias de maus-tratos no seio familiar. Estas recebem cerca de 500 acusações diárias por violência de algum tipo, nas quais 97% das vítimas são mulheres e meninas. Na Bolívia, as agressões de maridos somente são punidas se a mulher ficar incapacitada por mais de 30 dias. No Paraguai, a lei perdoa maridos que matam mulheres flagradas em adultério. A lei não se aplica às mulheres nas mesmas circunstâncias. Em Lima (Peru), 90% das mães entre 12 e 16 anos foram estupradas. No Brasil, também um dos campeões em violência contra a mulher, a cada 15 segundos uma mulher é espancada. E a cada 12 segundos uma mulher é estuprada. O Brasil também é um dos recordistas em rotas de tráfico de mulheres e meninas para escravização e prostituição, com cerca de 200 rotas no país.

-  No continente africano, onde os homens têm o direito de fazer o que bem entendem com as mulheres é comum, em diversos países, a mulher ser violentada e tambem espancada e até morta no caso de desafiar o desejo ou as ordens do marido. Também é comum, em muitos países africanos, as mulheres não terem direito à herança dos esposos em caso de falecimento destes. De acordo com estimativas feitas em 2010 por uma comissão do Conselho de Pesquisa Média, na África do Sul, a cada seis horas um homem mata uma mulher. Aliás, o maior índice de mortalidade já registrado devido à violência doméstica, afirmaram os pesquisadores.

No Kenya, pelo menos uma mulher é morta pelo seu parceiro, por semana. Na Zâmbia, por semana, cinco mulheres são mortas pelo parceiro ou por algum homem da família. 60% das mulheres na Etiópia são vítimas, em algum momento da vida, de violência, inclusive de agressões com ácido. Em algumas áreas rurais ainda é comum o sequestro de meninas de 10, 11 anos e essa prática é responsável por 92% dos casamentos, nas regiões.

- Na Austrália, país onde a violência contra a mulher também é grande, uma lei destinada a proteger mulheres acusadas de homicídio, quando alegam que agiram em defesa própria, como uma reação à violência de seus maridos, está sendo aplicada em benefício de homens violentos que cometeram crimes de assassinato. A lei foi aprovada em 2005 para desestimular a violência contra as mulheres. Mas, desde então, de 19 condenações abrandadas pela aplicação dessa lei, 17 foram de homens, como noticia o site do jornal Herald Sun de fevereiro de 2012.

- Segundo a Organização Mundial de Saúde um estudo realizado na África do Sul, Austrália, Canadá, Estados Unidos e Israel atesta que entre as mulheres vítimas de assassinato, cerca de 40 a 70% foram mortas por seus maridos e namorados, normalmente no contexto de um relacionamento de abusos constantes

- Na China, um terço das mulheres reconhece apanhar dos maridos, fora as que não revelam. Nas zonas rurais, as mulheres são vendidas frequentemente para casar com desconhecidos.

- Na Birmânia e em Bangladesh, as mulheres sofrem constantes violências e é comum serem queimadas com ácido devido às disputas de dotes .

Na Federação Russa, de acordo com organizações não-governamentais russas, 36.000 mulheres são espancadas diariamente pelo seu marido ou parceiro.

- Na Itália, a violência contra a mulher é grande o estupro é comum. Estima-se que cerca de 6,7 milhões delas sofreram violência física e sexual ao longo de sua vida, neste país de 60,3 milhões de habitantes, segundo o último informe do Instituto Nacional de Estatísticas (Istat). Mais de dois milhões de mulheres sofreram assédio. Além disso, 690 mil foram vítimas de reiterados episódios de violência por parte de seus companheiros, frequentemente na presença dos filhos. A organização Differenza Donna, com sede em Roma, tem cinco abrigos, um deles dedicado especialmente às mulheres vítimas de violência. Ela ajuda cerca de 1,5 mil mulheres por ano em Roma. Entre 87% e 90% delas foram atacadas por seus parceiros. Em muitos casos, passam anos sofrendo agressões físicas e psicológicas e sob a ameaça “se me denunciar, perderá seus filhos”, d As mulheres costumam estar sozinhas. Suas famílias não ajudam porque consideram que o casamento deve ser preservado sob qualquer circunstância.

-Na França, uma mulher é assassinada a cada três dias em casos de violência doméstica, segundo o Ministério do Interior, sendo que 50% delas já sofreu de alguma violência doméstica na vida, e 25 mil mulheres são estupradas por ano.

- A polícia da Grã-Bretanha recebe, em média, um telefonema por minuto pedindo ajuda para casos de violência doméstica, segundo dados oficiais dessa força do condado inglês de Sussex, e que figuram no último informe da organização Mulheres Contra a Violência na Europa (Wave), que tem uma rede de abrigos. Duas mulheres são assassinadas por semana na Inglaterra e em Gales por seus parceiros ou ex-parceiros.

-Na Alemanha, cerca de um terço das mulheres sofrem de violência doméstica e 12 a 20% já sofreram algum tipo de violação e abuso.

- A violência contra a mulher na Espanha é um dos problemas mais sérios do país e uma grande preocupaçao da populaçao e do governo. E só em 2010 ocorreram 6 homicidios de mulheres por mês, cometidos por seus comanheiros.

- Em Portugal, segundo a Anistia Internacional, as mulheres são frequentemente espancadas, pesquisas revelam que metade das portuguesas já foram surradas pelo menos uma vez na vida.

- Até as suecas, mulheres de um dos países mais desenvolvidos do mundo, sofrem grande violência conforme a Anistia, incluindo aí espancamento doméstico, relações sexuais forçadas e constrangimento psicológico, tendo a violência contra elas aumentado em 40% nos últimos anos.50% das agressões que chegam ao conhecimento da polícia se referem a surras aplicadas por marido, namorado e toda sorte de ex., e quatro em cada dez suecas, em algum momento da vida, já foram agredidas por homens,  

- Um estudo recente mostra que 42 por cento das mulheres turcas são vítimas de violência física ou sexual nas mãos dos maridos ou companheiros.

- No Afeganistão, as mulheres têm sofrido toda sorte de violências, desde físicas até culturais e educacionais e sexuais, são além disso obrigadas a usar a burca em todos os momentos e por toda a vida.

- No Paquistão, cerca de 8 mulheres são violentadas por dia e 70% a 95% são vítimas de violência doméstica.

- Na Índia, a discriminação e violência contra a mulher também é enorme e antiga. Uma das mais comuns é a das mortes por dotes, bem documentadas e terríveis, apesar dos indianos já estarem tão acostumados com isso que elas parecem invisíveis. Os nomes de Sunita Devi, Seetal Grupta, Shabreen Tajm e Salma Sadiq não chamam muito a atneção da maioria dos indianos, embora tenham sido notícia pelo mesmo motivo. Sunita foi estrangulada e Gopiganj, Seetal, grávida, foi encontrada inconsciente e morreu em um hospital de Déli, Shabreen foi brindada com fogo e queimou até morrer e Salma sofreu um aborto após ser espancada pelo marido em Bangalore, e morreu. As exigências por dotes maiores ppor parte do esposo, que deseja se livrar da primeira esposa para conseguir uma segunda com novo dote, é que estão por trás de todos esses homicídios, os quais são tão comuns que recebem apenas breve menção nos jornais. Os números do Birô Nacional para o Crime indicam que as mortes por dotes aumentaram e já chegam a 15 mil ao ano. Na maioria das vezes as mulheres são colocadas em cima do fogão aceso para que queimem até morrer, e esses assassinatos não são investigados.

- Além disso, tanto na India quanto na China e em alguns lugares da África, é cada vez mais comum o aborto de fetos femininos oou de bebezinhas recém-nascidas apenas por serem meninas. Na Índia, em regiões como Bihar, as meninas têm a espinha quebrada ao nascerem . Já no deserto de Rajasthan são enterradas vivas, e em Madhya Pradesh, envenenadas com fohas de tabaco enfiadas na garganta. Na China, são abandonadas frequentemente em ruas ou estradas, sem que ninguém faça coisa alguma, ou então são afogadas. Outras vezes, são deixadas em orfanatos do governo, onde recebem uma série de maus-tratos até, por fim morrerem.

- Na Arábia Saudita e em vários países árabes a violência e repressão contra a mulher é alarmante. Impressionantes vídeos em que líderes religiosos árabes ensinam maridos a surrar suas mulheres e a submetê-las aos seus impulsos sexuais, quer elas queiram ou não são veiculados como aulas  transmitidas regularmente, via satélite, para milhões de lares em dezenas de países árabes. Além disso tanto em vários desses países quanto em regiões da Ásia, África e Oriente Médio como no Sudão e Cisjordânia, ainda são praticados costumes bárbaros contra as mulheres como o de puni-las por engravidarem sem estarem casadas ou por adultério (quase nunca com provas), queimando-as vivas, apedrejando-as ou chicoteando-as. Outro costume terrível não só nessas regiões, mas também em comunidades islâmicas nos EUA, Canadá e Europa, é a prática da  mutilação genital em meninas, adolescentes e até mulheres adultas, sem sequer serem observados procedimentos básicos de higiene ou utilizada alguma espécie de anestesia, consistindo, tal mutilação, na extirpação parcial ou total do clitóris e, por vezes também de outras partes genitais femininas, e ainda em certos casos da costura dos lábios vaginais. Cerca de 200 milhões de mulheres sofrem de algum tipo de mutilação genital no mundo e  cerca de 2 milhões e meio estão em perigo de sofrê-lo, sem que até agora quase nada se faça.

Milhões de mulheres e crianças em todo o mundo são afectadas por 34 conflitos comunitários, étnicos, políticos e/ou armados. Nesses conflitos e guerras é comum o estupro de mulheres ser usado como tática de guerra e dominação. Na guerra do Congo foram registrados 5000 casos de estupros, o equivalente a uma média de 40 por dia. Mas mais da metade das mulheres estupradas não o revelaram, ou seja, calcula-se que o número foi bem maior. Durante o genocídio perpretado no conflito de Ruanda, cerca de 500.000 mulheres foram sitematicaticamente estupradas, sem contar as que não o revelaram. O mesmo aconteceu com 94% das mulheres das famílias que conseguiram fugir de Serra Leoa. No Iraque pelo menos 400 mulheres e também meninas, com pouco mais de 8 anos, foram estupradas em Bagdad, durante a guerra. O número de mulheres estupradas na Europa, durante as guerras mundiais, tanto do lado vencedor quanto do vencido também é enorme, embora a História muitas vezes tenha escondido tais dados. Na guerra da  Bósnia e Herzegovina cerca de  50.000 mulheres foram sistematicamente estupradas em campos de concentração feitos só para isso, os chamados campos de estupro, durante os cinco meses de conflito.  Em algumas aldeias do Kosovo, cerca de  50% das mulheres, em idade fértil, foram violadas pelas forças servias.

- Praticamente todas as culturas do mundo contêm formas de violência sobre as mulheres que são quase invisíveis, porque são vistas como ‘normais’ ou ‘habituais’. A violência no seio da família assume formas diferentes – desde a agressão física à agressão psicológica, como intimidação e humilhação, incluindo vários comportamentos controladores, tais como, isolar a pessoa da sua família e amigos, controlar e restringir os seus movimentos e o acesso á informação ou ajuda.A violência contra mulheres é muitas vezes ocultada. Existem vários fatores para o fato das mulheres não denunciarem atos de violência, tais como, o medo de retaliação, a falta de meios económicos, a dependência emocional, a preocupação pelos filhos e a impossibilidade de fuga, a impunidade, a indiferença das autoridades públicas e em muitos casos a acusação das mesmas, transformando as vítimas em culpadas. Poucos países têm formação e uma estrutura especial de policial, judicial e médica para o tratamento desses casos. Assim, é comum as agressões,brutalidades, crimes e desrespeitos contra as mulheres  e seus direitos fundamentais, permanecerem muitas vezes sem investigação ou punição. Alguns Estados não têm leis de proteção e prevenção, outros têm leis falíveis que podem resultar na condenação de algumas das formas de violência, mas excluem outras. Mesmo com a legislação apropriada, muitos países falham na sua implementação e prática, e frequentemente os governos não dão a devida atenção à essa questão, por não acharem relevante nada que diga respeito ás mulheres. Dessa forma, não é de admirar que apenas 1/3 das mulheres façam algum tipo de denúncia e ainda assim em países com estruturas melhores e  em casos muito graves.

-  No mundo inteiro uma das consequências do sistema de dominação patriarcal hegemônico, tanto capitalista, quanto comunista, quanto religioso ou fundamentalista, além das guerras e conflitos imbecis que se estendem há milênios e parecem que nunca terão fim, é também o engendramento da imposição de uma sociedade adultocêntrica, heterocêntrica, permeada por diversos classismos, racismos, castas e convenções intolerantes e irracionais. Neste tipo de sociedade, mulheres, crianças, homossexuais, pessoas  com alguma deficiência ou de cor ou religião diferentes da dominante, não têm voz nem vez, mesmo nas que se dizem democráticas e tolerantes. Estas mais sutilmente e menos explicitamente, fazem seu trabalho sem que a maioria perceba, através dos condicionamentos esteriotipados e inúmeros implantes de lugares-comuns, ilusões e mentiras deslavadas em todos os meios sociais e culturais disponíveis, de preferência destruindo toda educação que cultive algum tipo de pensamento crítico e atitude transformadora, embora sob vestes do contrário.

Diante do quadro exposto, vemos que a deseigualdade de gênero e a violência e desrespeitos contra a mulher, bem como sua difícil condição neste planeta, não respeita fronteiras de países, de classe social, raça, religião, orientação sexual ou idade. O número de mulheres vítimas dos mais variados maus-tratos e desrespeitos de direitos, bem como os mais diversos tipos de desigualdades entre os sexos continuam a aumentar de forma assustadora e, hoje, o problema é tão grave que virou também questão de saúde pública e de justiça pública. De acordo com pesquisadores da Universidade do Ceará e da Usp no Brasil, mulheres que sofrem violência e desrespeitos, ou que vivem sob permanente estado de desigualdade e opressão, ainda que as mais disfarçadas e sutis, que as impedem de simplesmente poderem se desenvolver como seres humanos saudáveis e livres, podem apresentar quadros de ansiedade, fobias e depressão, e múltiplos sintomas psicossomáticos, sendo que os transtornos mais freqüentes são verificados entre mulheres vítimas do próprio parceiro.
Para enfrentarmos esta cultura patriarcal desequilibrada e autoritária são necessárias políticas públicas transversais que atuem modificando a discriminação e a incompreensão de que os Direitos das Mulheres são também Direitos Humanos. Modificar o ignorante entendimento da subordinação de gênero requer uma ação conjugada e seriamente articulada entre os programas dos Ministérios da Justiça, da Educação, da Saúde, do Planejamento, Cultura, Economia e toda a sociedade.

Tais políticas públicas, trabalho conjunto e conscientização constante devem visar  a equidade entre homens e mulheres, constituindo, destarte, um caminho digno e sério para alterar a violência e discriminação física, simbólica, conceitual, cultural de gênero e para a convivência harmônica entre os sexos, baseada no respeito à igualdade na diferença e aos direitos humanos tanto de homens quanto de mulheres, sendo fiscalizado o fiel cumprimento destas políticas citadas, sem nos esquecermos que o objetivo maior somente será cumprido com a plena e total participação da sociedade civil como um todo e com o enfrentamento da omissão e alienação de muitas das próprias mulheres, que, não raro, estão mergulhadas na fuga, na cegueira,
sem mobilização para qualquer tipo de reação e apoio, seja por aceitar sem questionar diversos padrões impostos pela mídia e pelo poder econômico, com vistas ao consumo e a transformá-las em objetos, seja por se submeterem - por medo ou comodismo ou receio de se desentender com o sexo oposto, ou falta de auto-estima e solidariedade consigo mesmas e com todas as outras mulheres do mundo - a regras e comportamentos masculinos de controle que só lhes minam a integridade e as transformam num patético espelho que devolve ao homem uma imagem irreal dele em que aparece com o dobro de seu tamanho, como descreve-nos tão bem Virginia Woolf.  É preciso, urgentemente, que as mulheres que fazem isso, parem de sabotar a si mesmas e a suas irmãs, pelo bem não só delas próprias, mas de toda a humanidade e o futuro da mesma. Do contrário, não haverá futuro algum.

3 comentários

  1. Ah Gi! Eu chorei lendo esse artigo! Me senti tão insignificante diante de tantas atrocidades e males das mais diversas formas.

    ResponderExcluir
  2. Pois é Denise, tb me sinto assim, o mínimo que podemos fazer é mostrar ao mundo essa realidade, pois para que seja transformada é preciso primeiro que seja enxergada.

    ResponderExcluir
  3. Muito bom seu artigo Gisele. A forma como a femea da especie humana e´tratada pelos homens, não e´so criminal, e´imoral tambem. O que fazer pra conter esse poder testosteronico?? Acho que eles não sossegarão enquanto não destruir a raça inteira, e o planeta junto. Bando de loucos egocentricos.

    ResponderExcluir

Seu comentário é muito bem vindo, nós respeitamos a sua opinião. Pedimos a gentileza de observar as regras da cortesia e do bom senso.

Arquivo do blog