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segunda-feira, 12 de março de 2012

começa uma nova etapa ...

Dias de Outono
              Os meses quentes passaram lentos, abafados, apesar das fortes trovoadas e das inundações violentas, sem deixar saudades na cidade praiana de falsa paisagem de cartão postal. Quem mora em Santos sabe: mais de 200 dias de chuva, e a temperatura está mais para inferno tropical do que para paraíso.
            Após um verão tão quente que emudecia até as cigarras,
chegou finalmente o tempo gostoso, ensolarado sem provocar suor, insolação ou queimadura.
            Época em que os jardins ficam repletos de folhas secas, de todas as cores.
            Outono, afinal, tem seu jeito próprio, suas paisagens, seus sabores: o céu de um azul de doer os olhos, frutas maduras, árvores desfolhadas, flores caídas pelas aléias dos jardins da orla da praia. A lua cheia, não sei porquê, parece maior e mais brilhante, para ser contemplada com vagar.
            Nosso país não tem um outono típico, aqui nos trópicos o outono vira uma tal de ‘meia estação’, sem direito a casaquinho no braço, pois inda é muito, muito quente.
            Outono aqui é mais um estado de espírito, um jeito assim de quere descansar e filosofar à sombra, papear com os amigos na mesa de um bar, demorar-se nas decisões, fazer comprinhas para o inverno, planejar as próximas férias, dedicar-se a projetos de longo alcance.
            E a gente fica a imaginar árvores perdendo folhas, chão atapetado de cores, mudanças que a gente lê nos livros e nunca viu de verdade. Só quem foi ao hemisfério norte pode dizer que já viu um outono, de verdade, com aquela folharada colorida roubando a cena e fazendo o sujeito suspirar ante tanta beleza.
            Outono perfeito é a maturidade da alma, a satisfação de sentir que se contribuiu para um mundo melhor, que se educou uma criança, que se lutou por uma idéia, que se construiu amizades perenes, e, com sorte, ficou mais íntimo do amado da juventude e adquiriu-se o direito de envelhecer em paz, cultivando boas leituras e acarinhando netos.
           

1 comentário

  1. Que bonito!!! Ao ler o texto eu realmente revivi uma época em que as estações eram mais bem delineadas, onde me deitava sob as folhas caidas e amareladas e as flores murchas, vermelhas com toques vividos de amarelo, dos flamboyants gigantescos que ainda hoje existem no meu bairro. Olhar para cima era um arraso, os olhos se perdiam nas flores que caiam lentas e um ventinho gelado deixava as tardes lindas...

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